17

mar

2014

Na semana passada me deparei com uma matéria assinada pelo Rogério Gentile, da Folha de São Paulo, falando dos acidentes com motocicletas. Achei o artigo tão distorcido e preconceituoso que me vi obrigado a escrever para a coluna dos leitores do jornal e -surpresa- minha carta foi publicada, apesar de editada. Não vou questionar aqui o raciocínio tortuoso e malicioso que o autor faz, comparando as mortes de 1998 (cinco por dia no pais inteiro) com as de 2011 (40 mortes por dia).  Nem quero debater os números demonstrativos que em 1996 morria 1 motociclista a cada 27 pessoas assassinadas e hoje morrem 3,5 a cada 27.

Até tive vontade e pensei em pedir aos meus amigos bons de números e raciocínio, – Tite Simões ou ao André Garcia- que analisassem esses dados para fazer um cruzamento com o crescimento da frota, mas prefiro colocar a minha posição conceitualmente, sem entrar em aspectos numerológicos. Assim como resultados de pesquisas, números podem mostrar o que vc quiser, se souber fazer o truque direito, ou seja, falando a verdade (ou usando números), você pode dizer grandes mentiras, como naquele premiadíssimo comercial “Hitler”  feito pelo W. Olivetto, para a Folha, nos bons tempos da publicidade brasileira.

Mas voltando ao artigo, vou transcrever seu trecho final: ” Apesar dos índice elevados de óbitos -e dos gastos astronômicos com hospitais e custos previdenciários- o governo continua estimulando o uso de motocicletas, facilitando por exemplo, o financiamento nos bancos oficiais. Chega a ser mais barato pagar uma prestação no final do mês do que utilizar transporte público. Mais grave ainda é autorização para que motoqueiros circulem entre duas filas de carros, em espaços apertadíssimos. Ao contrário do que se pensa, no Brasil existe sim, o corredor da morte”.

Ao ler esse falacioso artigo, achei que era minha obrigação responder e esclarecer alguns pontos. Como a Folha de S. Paulo não pode ocupar seu “espaço do leitor” com textos maiores, completo aqui minha resposta e espero que vcs que nos acompanham aqui e no Facebook, comentem, nos apoiem em caso de concordância e divulguem compartilhando:

1- A moto é o veículo ideal para o transporte urbano brasileiro ( e não só urbano). A prioridade dos governos deveria ser: metrô/ ônibus/ motocicleta/ bicicletas/ carros.

2- Usar transporte público é, na maioria dos casos uma tortura. Para as mulheres então, é um suplício ser encoxada, empurrada e ter que ficar quieta e calada durante longas horas diárias. E para ambos os sexos, pessoas que gastavam mais de 6 horas diárias para ir e voltar do trabalho, com motocicleta gastam 2. DUAS!!! São 4 horas de vida a mais por dia, que eles usam para buscar um filho na escola, descansar um pouco mais, estar com a família. E o jornalista ainda enfatiza que moto é mais barato que busão, como se isso fosse ruim. É ao contrário, Gentile.

3- O governo incentiva, isso sim, a compra de carros! Alguém deve estar faturando alto com esse lobby, já que TODOS usam carros hoje em dia, até quem não tem dinheiro para comprar gasolina sem que precise fazer vaquinha entre os amigos. Em cidades do interior, simplesmente não existem vagas nas ruas para tantos carros e abrir estacionamentos em cidades pequenas é um grande negócios hoje em dia. Nos centros urbanos grandes e médio, nem preciso comentar, basta ver os engarrafamentos.

4- Se os governos deste país funcionassem o mínimamente razoável, para diminuir acidentes e melhorar a mobilidade em geral bastaria EDUCAR direito, HABILITAR direito, abrir motofaixas e faixas de contenção, aumentar bastante os estacionamentos exclusivos e fazer campanhas promovendo a harmonia entre donos de carros e donos de moto. Isso faria com que muitos homens e principalmente as mulheres perdessem “o medo” de andar espremidas entre as apertadíssimas faixas de carros. Menos perigo, mais motocicletas e scooters. Em pouco tempo teríamos uma qualidade melhor e mais educada de motociclistas e o numero de carros vazios diminuiria exponencialmente.

É isso. Qualquer divergência ou dúvida, vamos debater O assunto merece.

E fica aqui um convite público ao Rogério Gentile, para dar uma volta de moto por Sampa, na minha garupa. Ele vai entender melhor essa questão.

Baitabraço, Renzo Querzoli

Um comentário para “Matéria fúnebre e equivocada na Folha de S.Paulo:

  • Diogo Serregni Ribeiro

    Não tive a oportunidade ainda de ler o artigo do Rogério Gentile, na Folha de São Paulo, mas agora fiquei curioso. Uma pessoa consegue um espaço como este para expressar uma opinião e fala tamanhas bobagens? Vem falar de incentivo do governo em financiar motocicletas para o povo? Fica muito claro a possibilidade do mesmo incentivo pra este cidadão pregar contra o veículo de 2 rodas. Os números mencionados por todos os veículos da mídia sempre expressam a tamanha falta de raciocínio lógico, ou, viés muito forte para censurar a realidade.

    Existe uma relação direta entre aumento de frota e aumento de acidentes para qualquer meio de locomoção, seja ele de 1 ou 20 rodas. O que se deve analisar é proporção. Análises feitas de forma burra deveriam ser revistas e questionadas, não simplesmente repassar adiante.Não tenho e não quero pegar todos os números e provar o quão errado estão as conclusões. Eu ando de moto e carro e sei como que é, na prática, o convívio. Em cima da moto ou atrás do volante estão pessoas que devem ser respeitadas como pessoas. A guerra plantada por opiniões grosseiras como este artigo só alimentam a polarização nas ruas. Todos que estão querem a mesma coisa, locomoção e direito de ir e vir. A forma como irá se percorrer o caminho não deve nem pode ser encarada como afronta. Nunca vi números relacionando o número de acidentes com motos causados por negligência do motorista. Nunca vi estudos mostrando em que situação morre mais gente no trânsito, se andando em corredores ou sendo jogado por carros infratores, seja por falta de seta ou falando ao celular. Assim como eu, muitos motociclistas já foram ou quase foram vítimas de motoristas mandando MENSAGEM enquanto “dirigem” em zigue-zague pelo trânsito.

    Não prego contra números, sou contra análises burras e pré-conceituosas. Quer mostrar que a moto é ruim para o trânsito? Ótimo, faça isso em forma de opinião, não de estatística.

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