04

fev

2011

Eu prometi, então lá vai: depois de ter sido atingido por uma luz cósmica (rsrsrs) no início deste século, resolvi mergulhar no mundo das motocicletas levando como  bagagem a minha vivência de mais de duas décadas dedicadas ao marketing, criação e direção de filmes publicitários. Hoje sou motociclista até a medula , às vezes sinto até falta de ter dois retrovisores saindo de cada lado do meu rosto para poder enxergar para trás sem virar o pescoço….

Consegui, não sei por força de vontade, talento ou por pura sorte (ou azar, nunca se sabe direito)  juntar minhas paixões: trabalho e motocicleta.  Agradeço aos céus por isso. Tive a sorte, a honra e o prazer de idealizar, produzir e dirigir, em 2007 o primeiro filme brasileiro só sobre motos, cujo título, “Alma Selvagem, amor por…” acabou virando marca, conceito, conteúdo, tatuagem, paixão e meio de vida. Hoje Alma Selvagem é o selo de conteúdo da Bulls Eye Filmes, minha produtora de filmes e videos.

Desde o início, contei com o alto astral da minha primeira mulh.. moto. Aliás, já que estou contando a história delas, vou desde o começo, e se acharem o texto longo demais, é só virar a pagina. Vou tentar resumir:

Na década de 70 e 80, rodei dezenas de milhares de kms em todo tipo de moto, em estradas, ruas e trilhas, nas competições de Enduro que eu amava. Tive a sorte de andar muitas vezes com pessoas lendárias do off road brasileiro, como o grande Carlão Coachman e com o pessoal do mercado motociclístico e da imprensa especializada da época, como o Eduardo Dória, Marcus Zamponi, Ryo Harada (na época gerente de mkt da Yamaha e hoje publisher do site motonline, Julio Carone, Emilio Camanzi  e muitos outros queridos companheiros de lama e poeira. Depois, como era natural para a nossa turma e naquela época, acabamos competindo em muitos  Enduros de regularidade. A minha ultima prova foi o Enduro das Montanhas de 81, com largada em Sampa e chegada em Campos do Jordão.

Na descida do Urubu (eita nome), supercasca, tentei passar um cara lento pela “parede”, despenquei, tomei um tombo cinematografico e tive uma fratura exposta na perna direita. Na adrenalina, subi na moto, retomei, andei mais uns 600 metros e… acordei no Pronto Socorro. Fiquei uns 3  meses em recuperação e como tinha 2 garotinhos pequenos para cuidar, além de (já naquela época) problemas na coluna, desisti das motos. Fiquei 12 anos sem tomar uma dose sequer. Um dia falo melhor sobre essa parada duríssima, mas prometi resumir.

Então um dia, depois de muitos anos de abstinência, conheci minha primeira mulh…moto dessa segunda fase, uma  CBR 1000F, que batizei de  SHIVA. Na verdade Shiva é nome masculino e representa um conceito que gosto muito. Shiva é o deus da destruição construtiva, ou seja: para construir você precisa antes destruir. E de preferência, destruir as coisas antigas, já feitas, já vividas. Assim vem o novo.

Ela era assim.

Ficou assim.

Adorava a Shiva. Fiz uma pintura diferente para homenagear os tempos românticos, onde um numeral era mais importante do que logotipo. E também para dificultar que fosse roubada, além de me lembrar um certo “clima”  Ducati. Coincidentemente, faz algum tempo, vi uma Ducati 1098 (adoro) no Salão da Motocicleta, com a pintura parecida e brinquei que copiaram a pintura da Shiva.kkk. Estaria com ela até hoje, mas a pintura não adiantou nada e ela foi roubada… Sofri muito durante umas semanas, mas nunca mais a vi. E assim como devemos fazer quando acaba um grande amor, parti prá outra.

Traumatizado, minha exigência principal era que fosse uma moto “não roubável”, e foi assim que encontrei a Moto Guzzi Jackal 1100, em Tatuí, interior de São Paulo. Pensei “Se um ladrão chegar com esta Guzzi, toma uma bronca do chefe da quadrilha” e realmente, ela era tão estranha que ninguém a levaria mesmo. Sem contar que parecia antiga, apesar de ser nova, com injeção direta e cardã, rodas Marzochi e freios Brembo…

Ela era assim. Foto: Ryo Harada

Ficou assim, tadinha

Foi paixão à primeira vista. Ela parecia uma Custom, mas tinha alma de moto de corrida de montanha. Fazia curvas como gente grande. Já brinquei, por alguns quilometros, de seguir motos esportiva,s com os caras deitando nas curvas,  joelhaço no chão, acelerar, levantar e… a Guzzi colada no espelhinho. O pessoal achava que era uma Harley ou coisa parecida, e desacreditava ao ver como andava. Ela era realmente incrível. Seu nome era Francesca e quando chegava em algum lugar, era sempre a única, com seus peitões…digo, pistões saliente, em V, incríveis.

Ela teve seus momentos de fama no filme “Alma Selvagem, amor por motocicleta”, quando o Tite a usou no capítulo com dicas  para pilotagem em viagens e também ficou imortalizada na capa do DVD. Antes de iniciar as filmagens, coloquei dois escapes especiais, feitos pela Sarachu. Ela mudou, transformou-se, ficou mais adorável ainda. Até tive que mudar seu nome, de Francesca para Cassia Eller, porque sua voz ficou bem mais grossa e ela começou a pisar mais forte ainda. Adorava andar na chuva. Mas uma bela manhã, tomei uma fechada numa avenida em São Paulo, bati num poste e ela acabou se incendiando. Enquanto eu me contorcia na calçada, ela queimou de um jeito parecido com aquela cena final do Easy Rider, que muitos devem lembrar. Só de escrever isto, volta a emoção, a saudade… Mas enfim, ela deu uma de Joana d´Arc e para dizer a verdade, aquele momento do fogo foi inesquecível e hoje lembro dela com carinho e sem dor. Cassia Eller teve um vidão e se o acidente  não tivesse acontecido, estaria com ela até hoje.

Mas  nesse caso não teria conhecido minha terceira mulh…moto selvagem, uma alemã que chamei de Nina Hagen. Eu sempre soube que no dia que tivesse uma BMW GS, eu pararia por aí. Ela não era novinha, mas sempre preferi mulh… motos que não fossem “saídas de fabrica”… Quando a conheci  já tinha 7 anos de uso e 50 mil kms rodados. Em pouco mais de um ano, rodei mais de 40 mil, fazendo as minhas  “BVTrips”, viagens de lançamentos regionais do filmes Alma Selvagem, por parte do Brasil.

Com a Nina  fiz “Eventos Alma 70”  no interior de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Distito Federal. Viagens deliciosas, feitas em boa velocidade, com segurança, conhecendo o motociclismo de cada região ao vivo. Engraçado, ela também adorava viajar com chuva… Uso o verbo no passado, pois ela me trocou por um cara mais jovem, mais bonito e mais inteligente do que eu: meu filho. Não doeu nada.

Chic, séria, sem nome.

Selvagem, linda, Nina Hagen.

Mas meu coração vai muitíssimo bem, obrigado. Desde o final de 2010 estou com a Madalena, minha VARADERO SELVAGEM. É ela que vai me levar nas BVTrips em 2011, não sei ainda por onde nem exatamente quando. Neste momento não importa, estamos em fase de preparação. Ela chegou até mim depois de passar por várias experiência curtas e algumas até traumáticas, na mão de jornalistas e pilotos de testes de revistas. A maioria são amigos meus e sei que nenhum deles a maltratou, mas que espremeram a coitadinha, ah, disso podem ter certeza. Como se dizia, muita gente esteve por lá, testando, avaliando, escrevendo coisas a seu respeito. Pensei até em chamá-la de Madalena Arrependida, mas não. Cada um com sua vida e o que passou, passou.

E ela é fantástica, me apaixonei pela Varadero quando um amigo médico (todo médico é meio maluco) me emprestou a dele para experimentar numa estradinha e … meudeusdocéu, como andava! Como fazia curvas! A Varadero é uma verdadeira estradeira, superconfortável, confiável e com os melhores freios ABS que já vi. Seus faróis também são demais, fortes como o de um Civic. Dá para viajar à noite, caso necessário.

O segundo contato com uma Varadero foi nas filmagens do “Alma 70, Motos Clássicas”, quando a Honda nos ajudou emprestando uma Varadero para que pudéssemos instalar a BullsCam, uma traquitana para filmagens em movimento criada e desenvolvida por nós. Aí ficamos juntos por três semanas e meia…e a paixão bateu forte.

Desde dezembro a Madalena e eu estamos juntos. A pimea coisa que fizemos -ela está radiante com suas mudanças-  foi uma alteração radical em seu visual, com nova roupa feito no Zuludesign, ensaiamos um novo jeito de andar, correr e deitar (nas curvas é claro), com um estilo que só posso qualificar de…selvagem responsa.  Até sua voz vai mudar, estamos fazendo um escapamento especial para ela, assim como seus adereços e acessórios. Eu e meus parceiros -dos quais vou falar em breve- não temos tanta pressa, pois nunca esqueço do mantra  que aprendemos a usar em cinema desde cedo: “a pressa passa, a m… fica”.

Ela vai ficar linda quando estiver pronta. Sua pré- estréia foi no Salão Bike Show, no Rio de Janeiro, no início deste ano, onde ela foi muito fotografada e muitos puderam fazer uma fotinho com ela, já que não sou ciumento (dela). Até teremos um cavalete central para facilitar. No Salão do Rio, uma moça me agradeceu com lágrimas nos olhos, por ter deixado ela fazer uma foto numa moto que para ela, ainda é um sonho.

Por enquanto é isso. Espero que tenhamos uma história linda juntas e que deois dela venham muitas outras, se o destino quiser. Na vida real sou monogâmico convicto. Com motos sou monogâmico repetitivo: uma de cada vez, para sempre enquanto dure, mas se tiver que trocar de vez em quando…

Nos vemos pelas estradas!

PS: a Madalena também adora viajar na chuva…

Meio caretinha, com Nina ao fundo...

Já de roupa nova, cutindo o alto verão in Rio.


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