13

jun

2016

Pois é, mais um acidente de moto na minha vida e como nos  dois últimos anteriores, escrevo a respeito.

Sempre achei importante escrever, para alertar outras pessoas a não repetirem meus erros, e este ultimo me parece mais relevante por vários motivos: pela dor, gravidade, talvez por minha idade, ou por não entender o porque do acidente. Só sei que não posso permitir que o acontecido passe em branco, preciso contar o que houve, como uma forma de gratidão, por poder estar escrevendo, enxergando, raciocinando, vivo e inteiro.

Antecipo o saldo: nariz quebrado em 3 lugares,  dentes dianteiros quebrados (5), escápula (nossa asinha nas costas) e costelas superiores fraturadas, cotovelo direito lesionado, perna esquerda deslocada na cabeça do fêmur e alguns cortes nas mãos e barriga. Como disse um dos médicos, foi pouco diante da violência da pancada.

Foi numa sexta de tarde, voltando para casa pela Rodovia Castelo Branco. Estava com a Grace Jones, minha Honda Gold Wing 1800 e eu estava bem equipado: capacete integral (fechado), jaqueta de couro, luvas, calça protegida e botas até meus joelhos. Estava sem pressa, com pneus novos (já sem cera), feliz da vida… A única coisa que lembro do acidente, eram pessoas cortando minhas calças com tesouras. Depois, lembro de um quarto de hospital e ao meu lado um homem ferido, de nome Claudio, gente fina, e um detalhe: o hospital não tinha travesseiros, eu usava um pano dobrado sob a cabeça, talvez uma toalha… A essa altura, minha mulher, Flavia, já estava comigo e daí fui transferido para um hospital melhor, por conta do meu convênio médico.

O primeiro a chegar a mim foi meu filho Diego, que também retirou a moto e soube algo sobre o acidente. Parece que entrei na traseira de um caminhão. Estranhei, pois sou “vacinado”contra fechadas de caminhões, estou muito acostumado com elas e com o trânsito sempre caótico naquele trecho inicial da estrada. Talvez daqui a alguns dias saiba mais…

Eu normalmente ando meio rápido, mas sempre com muitíssimo cuidado e caso tenha sido um caminhão, aposto que foi um daqueles “VUC”, os caminhõezinhos rápidos e leves, cujos motorista pensam que estão pilotando Porches num Track Day. Os caras são demais! Acho que 95% deles são ex-motoboys do tipo cachorro-loco, que passaram do centésimo acidente de moto e resolveram andar de 4 rodas…

Mas preconceitos á parte, a culpa pelo meu acidente é toda minha. Sempre uso aquele velho princípio da invisibilidade, ou seja, fingir e me comportar como se ninguém me enxergasse, mesmo que veja o cara olhando nos meus olhos. E o que acho importante dizer aqui é que mesmo tomando todos os cuidados, bater de moto machuca e dói muito, dói prá caramba.

O acidente foi no dia 20 de maio e só escrevo agora, quase um mês depois, pois recuperei nestes dias, e em parte, os movimentos do braço direito ( tiraram os pontos) e do esquerdo (ginástica/ fisio). Mas foram 15 dias no Hospital Nove de Julho -aproveito para agradecer muitíssimo a equipe que cuidou de mim, não preciso escrever os nomes, eles sabem quem são- passando por momentos onde a dor era tamanha que descobri uma forma de suportá-la sem pensar na frase “prefiro morrer”: eu mentalizava meus quatro netinhos e revia cenas deles rindo, brincando ou até sérios, e a dor passava, ou ficava bem menor. Depois de “olhar” para o Luca, Nina, Dora e Valentina, eu via minha mulher e meus quatro filhos, e depois deles, via a minha família e meus amigos.

Isso me ajudou bastante e fez aflorar em mim um sentimento conhecido mas ao mesmo tempo novo: a importância e o carinho por pessoas. Gente que vejo sempre, gente que vejo pouco. Gente que preciso ir longe para ver, gente que vejo quase sempre. Gente real e gente virtual.

A todos vocês, quero deixar o meu abraço e o carinho enorme que sinto por todos.

Nos vemos pelas estradas da vida, daqui a pouco.

Renzo Arturo Querzoli

 

3 comentários para “Renascendo: Renzo Arturo Querzoli

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