08

maio

2009


Como foi:

Ontem, 7 de maio ao meio dia, eu estava voltando de uma reunião numa famosa agencia de publicidade. Feliz da vida, porque a reunião tinha sido ótima. Na esquina da Brasil com a Rebouças (avenidas movimentadíssimas aqui em Sampa) o farol fechou para mim, esperei abrir e entrei na Rebouças á minha direita, na faixa da direita.

Quando estava ainda acelerando em primeira, um motorista “esperto” -daqueles que não admitem a faixa ao lado andar e a dele demorar alguns segundos a mais- resolveu entrar na faixa mais livre -a da direita- e simplesmente, sem olhar, jogou sua Blazer encima de mim, repentinamente. Não fui “fechado”. Eu fui “cotovelado” e jogado para a direita, direto para um poste, daqueles metálicos. Fui direto nele e quando vi o poste na direção do meu nariz, ainda consegui desviar o rosto e tomei a pancada do lado direito do pescoço, com o poste pegando no meu peito.

Caí na calçada, me contorcendo por causa a pancada e as muitas pessoas se apressaram em ajudar. Tentei ajudar a levantar a Guzzi, enfiada no poste e tombada de lado, porque dois caras juntos não estavam conseguindo. O motor continuava ligado e de repente percebi gotas de gasolina pegando fogo. Não tinha nada à mão para abafar e em centésimos de segundos o fogo começou a aumentar. Parou tudo na avenida. De repente surgiu um segurança com um extintor, que não funcionou. E o fogo aumentando.O tanque estava cheio. Aí surgiram mais 3 ou 4 extintores, que entraram em ação porque a Guzzi já estava no meio de uma bola de fogo, com labaredas de 3 m de altura, quase incendiando uma arvore. Em poucos segundos apagaram o fogo e tudo acabou. Ela ficou assim:

Quem acompanha este blog sabe do amor que tenho pela Cassia Eller, a minha Moto Guzzi Jackal 1100. Ontem ela teve seu dia de Joana D´Arc e ainda não sei o que será dela. A grande ironia é que hoje eu ia deixá-la não mãos do Sylvestre Paschoal, o mago da Silverstone, que prometeu deixá-la tinindo. Ele disse isso depois de ver o estado lastimável em que ela se encontrava, por causa do uso incessante, intenso e selvagem. Tinha conseguido uma moto emprestada e ia fazer isso HOJE, dá para acreditar? E agora?…

Depois do acidente urbano, pensei que tinha fraturado algumas costelas e talvez afetado uma clavícula pinada, mas no hospital onde passei a tarde sendo examinado verificaram que o unico prejuizo foi uma forte luxação nas costelas, que espero passe em pouco tempo. Não posso me mexer físicamente, mas estou aqui teclando.

Ainda estou meio em choque, porque as cenas dela fritando no meio de uma bola de fogo, no meio da rua, nunca mais sairão da minha mente e quando penso nisso, chegam junto as lágrimas. Sei que vai passar, mas tudo aconteceu ontem e ainda não resolvi o que fazer.

O lado bom?

1- Fui jogado contra um poste e estou aqui, teclando, na minha cama, sem estar machucado mesmo. Daqui a alguns dias estou zerado.

2- Alma 70, o novo filme, terá sua velocidade na produção reduzida. Já estava tentado a fazer isso, especialmente depois de conhecer melhor nosso apoiadores e parceiros no filme. E desta forma ganho mais tempo para pré-produzir e principalmente, poderei inclui no filme o evento do Pateo do Colégio, o mais importante do país e que acontece em julho.

3- Aproveito essa pausa forçada para desacelerar um pouco. Estava tudo muito forte.

4- Meu notebook estava numa mala lateral, que derreteu. Por incrível que possa parecer ele (Olavo Setúbal) ainda funciona. Graças a Deus.

5- A Cassia Eller estava com 70.000 kms. Uma verdadeira heroína, que mesmo cheia de soldas, amassadinhos, entortadinhas, me levava a todo lugar e à qualquer hora, como nesse rushzinho que fiz na semana passada e que está no vídeo anterior a este post. Talvez ela mereça ser ressucitada, se for possível.

Enfim, talvez ela volte a ser original, talvez mais personalizada, quem sabe uma café racer ou uma verdadeira Mad Max, assumida…ou até nada disso. Só sei que todas as borrachas, chicote, fiação, detalhes e etc foram para o espaço. Aqui no Brasil não existem peças para Guzzi. Não sei se o fogo destempera o metal, se vale a pena tentar rescussitar a garota.

Vou consultar meus amigos de verdade, ver o melhor a fazer e depois eu conto. Ela não tinha seguro, mas o cara da Blazer tinha. Espero que seja bom.

Abraços meus e da Cassia Eller a todos. Vamos ficar bem.

2 comentários para “TRAGÉDIA SELVAGEM!

  • Pingback: » Arquivo » MINHAS 4 MULH… MOTOS SELVAGENS:

  • Paulo Lopes

    …Renzo! Mas, que estupidez de mais um motorista “esperto”! Embora já faça um bom tempo, desde o teu acidente, nos últimos anos só venho me decepcionando cada vez mais com esse nosso trânsito brasileiro. Em Janeiro de 2009, depois da pancada na traseira da minha moto, que levei de uma Kombi na traseira, parado no semáforo da Av Protásio Alves (zona leste de Porto Alegre), tive perda total da minha Vulcan 500 Ltd, da qual, era segundo dono há pouco mais de 11 anos. Até hoje estou sem moto e, sem pressa de voltar, embora com a mesma paixão, ainda. Fiquei imaginando o teu enorme prejuízo, além das primeiras 48 horas de dores físicas (as mais fortes)! É revoltante para mim, fatos que, causadores deste teu sinistro e outros tipos de acidentes por pura pressa e imprudencia quase sempre terminam impunes… EStamos bem mais entregues à própria sorte e sob uma hipocrisia generalizada por parte das nossas autoridades, do que sob a proteção de quaisquer leis para o cidadão. Aonde vamos parar?! Aquí, na capital gaúcha,nem com meu carro(novo) eu quero sair mais, por tanta indignação. Deixo-o somente para situações mais urgentes e, para quando quero sair da cidade. Se formos esperar por providencias dos governos, estamos numa roubada… Boa sorte, meu caro. Sucesso sempre! ASSIM SEJA!(24/11/10 12hrs:03mn)

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